30 de jun. de 2009

Um sopro de vida
restou no olhar
pálido
A ira do leão calada
de veneno
dorme
Saudosos estão os oprimidos
de toda energia
Tristes oprimidos
choram a falta
e sentem
a dor da calma
Tudo aparece de novo
o contexto paralisante
revestindo o medo
toca as vísceras
transformando seres em pedra
pedras amedrontadas
mortas
É tudo vento
e passageiro
ventou
sumiu
num desenho
que se formou na duna
e fez paisagem
Tudo iludiu quem pensava
que era imutável
O eterno
é paisagem
de ontem

26 de mai. de 2009

Qual a necessidade disso tudo?
Pra que tudo isso?
Onde foi parar?
Tão veloz?
Que tal menos?
Que tal pouco?
Mais profundo?
Intenso?
Pouco muito
Muito pouco?
Me dê a colher!
Preciso da medida!
Agora!!!

28 de abr. de 2009

é tudo tão simples
como um jogo de pingpong
mas não precisava ser assim
amar é de graça
nunca custou um tostão
mas custa caro
uma energia que ninguém sabe dar
querem tudo de volta
pois investiram pesado
que coisa injusta essa
se fosse de graça
muito seria dado
sem esperar tanto de volta

25 de mar. de 2009

É tudo muito bizarro
tanto que
os critérios
já se foram
se existiram
ninguém contou
nesse vale-tudo
não sei quem jogou
só sei que eu
não senti nada
quase como sempre
não testemunhei
porque não precisava

Aquilo que quer existir
naufraga sem que ninguém veja
e se alguém o vir
que o traga de volta
que o faça materializar
com urgência
pois ninguém
acredita mais
no volátil

Só por milagre
tragam aqui
na palma de suas mãos
diretamente da imaginação
e vejam que o que existe
é o que esta em suas cabeças

24 de mar. de 2009

ah isso tudo é tão desnecessário
toda luz se faz desnecessária
o calor também ninguém necessitou
sorrisos são descartáveis
presentes então nem se fala

tudo tem o seu lugar
um pouco se coloca na estante
ou pendura-se na parede
o resto ganha a janela
um ralo ou se preferir a lata do lixo

a ausência é necessária
a tristeza é urgente
a sisudez
o caos
todos guardados para o próximo campeonato
num baú enorme
esperando mais uma vítima ou vilão