25 de jan. de 2009

O insensato querer
fez do rumo desafio
dispersão imaginativa
pra quem nada esperou

Da tua fórmula distante
sobrou o genérico superficial
deu um outro fabricante

O insensato querer
te amou sem sentir
e te reinventou em outros corpos

Ele não se deu por satisfeito
errou o alvo
mas não esquece nunca
o sabor do purgante

23 de jan. de 2009

Ele tinha tudo o que queria
e no ter estava preso
seu desejo foi ficando vago
pois o tudo lhe tirava o medo

sentia um prazer naquilo tudo
ensejava mais e mais estar assim
gritando ficava quase mudo
correndo paralisava sem fim

Até que num certo momento
meteu-se num beco infinito
o vazio não mais preenchia
e o tudo era nada
e o nada não se finava
e o beco acabava
no começo do labirinto

O labirinto tão torto
o deixou com surpresa
dando num penhasco
que ele perdeu-se
de tão grande o espaço

Sentiu que o beco
pode ser um penhasco
e que o penhasco
é pequeno pra quem
não tem espaço

21 de jan. de 2009

Nos espaços
preenchidos pelo ar
pesos como se fossem
tijolos tomando conta
preenchendo as vagas
das dívidas
dos débitos

Falta saber
pra que servem
tantas direções
e energias vãs
que se dispersam
ao amanhecer?

20 de jan. de 2009

No silêncio
ficou a poeira
e o que não foi dito
na canção que não pude ouvir
Talvez o hoje repare
e refaça o não feito

Na poeira
ficou o silêncio
de não ter respondido
nem escutado
Talvez pra amanhã
fique o beijo
que há muito tempo
foi negado

19 de jan. de 2009

Casacos no tempo

Limpei os armários e vi
Tantos casacos
Tantos sapatos
velhos e novos
colecionados
com o passar dos anos

Colecionei também
na agenda do telefone
no celular velho
no novo
no chip
tantos nomes
de gente que tá perto
que tá longe
que fazia tempo que não se via
tudo lá arquivado

Assim como os sapatos
tem gente nova
que dá bolha nos pés
tem tanta gente rasgada,
curta e empelotada
como aqueles casacos
que não usamos há anos

Assim como os amigos
são as blusas
e casacos embolorados
com abraços quentinhos
e surpresas nos bolsos
como moedas velhas
e brincos avulsos
No armário também tem
sapato novo causando
tem blusa larga
saia justa por algum fora que se deu

Mas tem também uma sacola
ao lado do armário
pra colocar e doar
as roupas desbotadas
as que saíram de moda
Já no chip do celular
e da mesma forma
nomes deletados
de gente que sumiu
que pisou na bola
que foi pra jerusalém

Outros
ficam sempre lá
no aparelho
na memória
até a próxima estação

16 de jan. de 2009

No meio do temporal
é impossível
fechar uma porta
que insiste em ficar
entreaberta
enquanto isso
outras se abrem
e se fecham

Não param seu frenético
movimentar
porque
há uma porta sempre
entreaberta difícil
de abrir ou
fechar

14 de jan. de 2009

Manhã fria
flores se fecham
Ao longe
ouve-se uma
rouca
voz que
canta triste
O tom maior
entoa
calmo
lembrança de dias melhores
e de um
olhar sempre perdido

6 de jan. de 2009

Menina, já olhaste pro teu lindo umbigo?
Pra quê serve um ramalhete,
uma mensagem, uma noite ou convite
se no outro dia
olhas pro alto e vês na janela dele entreaberta
teu raio de sol que mal entra?
E nem reluz por lá...
Veja bem mocinha
ele usa óculus escuros pra se proteger de tantos raios...

Enquanto isso, em outros cantos e quintais
uns tantos até viajam quilômetros e
fazem de tudo
por um dia de bronzeado...
Esses meninos tolos
Te procuram de guarda sol
eu sei,
mas te liga guria!
Não perca teu tempo!
Eu vejo vários ao teu lado...

5 de jan. de 2009

Barquinhos sem vento
Balançam nas marolas
Então o vento volta
O barco vira e
Desvira molhado
Escorre e continua balançando
Foi só um jet ski